Como esse é o primeiro post, vou tentar descrever o que me fez mudar de endereço.
Agora que não tem mais quem leia. Pois quem lia, não quer mais saber. Parece que tenta sufocar tudo o que aconteceu. E parece que desistiu de mim. Isso é o que mais dói agora. Não ter alguém que batalhe por mim. Como se fosse um ciclo, volto aquele ponto. De querer alguém que me olhe e sinta que vale a pena. Que apesar das dificuldades, é possível conviver comigo.
Eu também não presto, a culpa é minha. To aqui curtindo minha dor de cotovelo e pensando numa coisa. Acho que eu gosto mais de sofrer do que de ser feliz. Tenho a impressão que eu faço de tudo pra não me dar bem. Eu busco o que tá errado, ao invés de olhar para o que dá certo. Isso é normal?
Bom, não to muito interessado em acertar mais. Eu nunca vou conseguir, mesmo. Da primeira foi desse mesmo jeito. Brigas, brigas, brigas e quando cansávamos, brigávamos, pra variar. Admito que eu provocava, eu procurava. Às vezes até inventava motivos que não existiam. Mas poxa, será que ninguém pode pelo menos tentar me entender? Eu faço isso com todo mundo. Tô cansando de ter que ser o bonzinho. Ter que fazer tudo andar nos trilhos. Tô cansado de não ter um lugar onde eu possa ser eu mesmo.
Olha só, eu sou um cara fudido na vida. Aliás, eu mesmo procurei com as minhas próprias mãos tudo isso que to passando agora. Eu já aceitei isso como uma situação que vou ter que lidar. Mas será que não existe ninguém que tenha paciência de entender isso? Eu só queria alguém que colocasse no colo e me dissesse que vai ficar do meu lado até isso passar. Será que eu sou tão diferente assim que to pedindo algo que não existe?
Eu continuo achando que não. Ainda acho que tem alguém por ai disposta a isso por mim. Porque também não sou tão arregaçado assim. Sou carinhoso, atencioso, presto atenção nos detalhes. Estou sempre disposto a fazer o que a mulher deseja. E às vezes até me deixo pra fazer o bem pra alguém. Então porque isso não é reconhecido? Porque as pessoas não fazem o mesmo por mim? É só isso que eu peço, que faça por mim, apenas o que posso fazer por ela.
Tô muito triste hoje. Não por alguém ter me deixado. Mesmo porque isso não aconteceu, fui eu que vacilei. Mas porque eu não posso errar? Porque eu tenho sempre que estar na linha? E onde entra o companheirismo? Onde é que foi parar o “para sempre”? Eu aceito que não seremos felizes eternamente, numa boa. Mas não consigo aceitar que não seremos juntos pra sempre.
Ainda bem que eu não casei ainda. Eu não saberia o que fazer com aquela história que padre fala, “na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte o separe.” Já pensou se na primeira dificuldade ela me deixasse com as contas e os filhos. Eu ficaria doido por não entender o mundo.
Eu acho que um relacionamento é como esse texto. Tudo fora do lugar, sem ordem cronológica. Às vezes me perco no que to escrevendo. Às vezes as palavras somem. Mas continuo escrevendo, tentando tirar daqui de dentro o máximo possível das minhas verdades. Pra quem ler não ter nenhuma dúvida. Tudo bem que nesse caso, ninguém vai ler. Mas e se ler? E se por acaso, alguém achar isso aqui e se interessar? Tem que estar bom.
Eu esperava mesmo, que ela viesse me procurar. Não pelo meu ego, ele já não existe mais. Mas para que eu tivesse a certeza que nós aprendemos a lição. Pra eu saber que ela viu e aceitou suas falhas. E para que eu tivesse a certeza que tenho medo de perdê-la. Mas ela não veio e só sobrou a certeza do medo. O resto foi jogado no lixo. E isso me entristece.
É isso que mais me dói. Saber que não era tudo aquilo que eu pensava. Saber que eu errei tanto, a ponto de ela não querer mais voltar.
Eu sei lá, pode ser que ela esteja lá esperando eu ligar. Ou aparecer no portão, com flores nas mãos e amor no coração. Mas pode ser que ela nem esteja lá mais. Quem sabe ela já esteja em outra. Hoje é sábado, pode ser que ela esteja na balada. Pode ser que ela esteja em milhares de lugares, procurando um lugar onde eu não esteja.
Mas isso não me importa. Isso não é o mais importante agora. O que mais me interessa é que ela esteja pensando em voltar. Voltar pra cá, pra esse nosso lugar. Mas começo a achar que isso não vai acontecer mais. Talvez nunca mais. E isso eu ainda não sei se quero. Isso eu não esperava que acontecesse. Não mesmo, de verdade. Eu queria todas as outras possibilidades, menos essa.
Eu esperava que ela viesse, depois de uma semana. E que me contasse tudo o que eu via no relacionamento. E que ela já tivesse disposição de fazer diferente. Não queria que ela viesse me pedindo pra voltar, isso não. Não quero voltar pro mesmo relacionamento que não deu certo. Mas queria começar um novo. Sabendo de tudo o que já sabíamos. E, baseados nisso, pudéssemos fazer melhor dessa vez. Começando do zero.
Mas acho que vou ter que me contentar em ficar aqui, só. Ouvindo músicas de quem também está triste, escrevendo pra ninguém ler e sonhando. Só imaginando como seria se ela tivesse feito pelo menos uma, de todas essas loucuras. Desejando que a próxima fala tudo isso e mais um pouco. Já que essa minha natureza não vai mudar.
Sou muito exigente, às vezes nem eu me aguento. Eu espero a perfeição em tudo, de todos. Eu espero que eu não precise pedir nada. Espero que o impossível aconteça. E isso eu não deixo de esperar, não. Porque se já aconteceu uma vez, pode acontecer de novo.
Quer dizer, não aconteceu uma vez, e sim da segunda vez. Impressionante aquele um ano e meio. Até hoje me pego lembrando dos detalhes. Ela simplesmente sabia que eu gostava de outra. Por um bom tempo eu não sabia que ela sabia. E tentava esconder de todas as formas. Mas ela sabia e acreditou que fosse passar. Como passou, demorou mas passou. Eu é que não consegui esperar. Me entreguei. Deixei que me dominasse. E me perdi por causa disso.
Como sempre, mais uma vez eu perdi uma oportunidade de ouro por causa de um pequeno detalhe. E disso eu me arrependo, tremendamente. Eu sei que tivesse ficado lá, hoje tudo seria diferente. E com certeza eu não estaria escrevendo isso aqui. Pelo menos não sozinho, como estou agora.
Mas passou e não tem mais volta. Não porque eu não queria, mas porque eu fiz que não tivesse. Outra vez eu joguei uma vida pela janela. Preferi ficar com as lembranças. Como eu disse, eu devo gostar mais de sofrer, mesmo. Sou eu que faço tudo isso. Só eu. E é isso que eu não entendo. Como eu consigo perder tudo em um minuto. Parece que eu não penso nas consequências. Ou não tenho medo delas.
Eu vivo por ai, pedindo mais uma chance, uma oportunidade de fazer o resto. E quando aparece, eu desperdiço assim, por coisa boba. Que raiva de mim, eu sinto nessas horas. Só não falo que não tem mais jeito pra mim, porque aprendi que pra tudo tem jeito. Senão, eu já teria desistido de mim. Já teria jogado tudo para o alto.
É duro, isso cansa, tira a vontade e a motivação de continuar. Tira a crença no positivo, acaba com a força que me move. Eu nem sei como eu ainda tô aqui. Só sei que muito do que faço é pela minha família. Que me dá força, às vezes até e obriga a continuar. Não fosse eles, eu não faço a menor ideia de onde eu estaria. Aqui é que não, com certeza absoluta.
Tô com vontade de parar de escrever. Mas eu sei que se eu parar, não vai ter nada pra fazer. Sono não tem, TV é uma merda, internet ta vazia. Tá muito frio pra ir olhar as estrelas. Ainda mais sozinho. Vou parar um pouco pra ver se aparecem mais ideias.
22:31
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